Criadoiro - criaoiro -crioilo -crioulo –criolo = criador

21
Jul 11

   Pressuponho que o programa formativo de inserção de jovens, seja um conjunto de intervenções a nível escolar, ou extra-escolares, que visam aquisição inicial, prévia, de conhecimentos, para o exercício das funções próprias de uma profissão qualificada em qualquer sector de actividade económico. Mas, ou muito me engano, ou estamos perante uma cultura inequívoca de relação negativa com o ensino profissional. Digo isto, porque segundo me parece, à formação profissional inicial, apesar de todo o esforço e investimento que tem sido realizado nestes últimos tempos, através do sistema educativo, tem tido uma fraca representação no efectivo geral das profissões qualificadas, bem como no ingresso destes profissionais nas empresas e organizações. Ao contrário daquilo que têm vindo a fomentar, a formação profissional inicial não desembaraçou ainda da conotação negativa e, apesar de haver hoje em dia uma forte procura e de ingresso de formandos, esta, erradamente, continua a ser vista como um conjunto de facilidades para pessoas com menos capacidades intelectuais. Entretanto, o regime de aprendizagem empírica, ou seja, o regime de transmissão de saberes no local de trabalho, ou segundo alguns autores, do “autodidatismo”, mantém uma forte representação em Portugal, tirando vez aos profissionais com uma certa qualificação. Nada eu teria contra o recurso ao autodidatismo se, na minha opinião, este não fosse o cancro da produtividade da nossa economia. Com isto, não estou a dizer que a formação profissional resolve todos os problemas, mas acredito ser o passo mais importante para resolver os outros problemas que dela resta. Em Portugal, são evidentes os limites de aproveitamento dos jovens qualificados nas empresas, a começar, pela cultura dominante das nossas empresas preferirem recrutar colaboradores sem qualquer formação prévia, para depois promover no local de trabalho toda a formação necessária para o exercício da actividade que se pretende, muitas vezes, com recurso ao autodidatimo, em vez de procurar recrutar nas estruturas formativas estes profissionais. Além desta opção, ignorar a importância da formação profissional inicial, ao mesmo tempo está a legitimar o baixo salário, e a promover a baixa expectativa dos colaboradores nas empresas e organizações. Um outro bloqueio à formação profissional inicial tem sido o fraco grau académico dos nossos empregadores, principalmente no que se refere as pequenas e médias empresas, o que se tem traduzido num factor determinante para o atraso das nossas indústrias e, através delas, a nossa economia. Digo isto, porque, muito humildemente, muito modestamente, entendo que o grau de formação de um empregador, ou mesmo dos dirigentes que foram sendo promovidos nas estruturas da empresa pelo tempo de serviço, e não pela sua formação ou qualificação, determinar a capacidade de uma empresa inovar, empreender e, o seu próprio nível de organização. Também, os critérios pessoais de recrutamento da mão-de-obra que dá prioridade aos amigos ou familiares são vistos como carcinomas que bloqueiam a formação profissional de alcançar o sucesso perspectivado. Um empregador ou um dirigente que não adquiriu um certo grau de conhecimento académico, muito dificilmente acreditará nas potencialidades e na vitalidade que um profissional qualificado pode trazer a uma empresa. A leitura negativa do ensino profissional, e por consequência a falta de técnicas qualificadas nas empresas têm condicionado, em grande parte, o sucesso do processo educativo e formativo dos jovens, e por via dela, a produtividade das nossas empresas, provocando danos significativos na nossa economia. A formação profissional, mais do que um factor de ajustamento entre a oferta e a procura, é também uma questão de cidadania. Portando, é bom que nos ocupemos da importância do ensino profissional para resolver a simetria existente no seio da população portuguesa, e criar estratégias para que haja um impacto directo na nossa economia, através da sua valorização e ajustamento às necessidades das empresas. O crescimento económico de um país está inteiramente relacionado com o nível de formação e de educação de um povo. O falhanço sistemático e a desorganização do ensino profissional em Portugal tem reflectido claramente na nossa fraca produtividade.

publicado por gritodumcriolo às 11:54

05
Mar 11

Não extravagantes vezes, aborrecido com as angústias da miserável vida que levo entre trabalho quando há, universidade e bibliotecas, vou ao meu café de preferência para não diversificar. Tomo um café, e aparentando ler o jornal, vou registando os argumentos dos homens operários e lavradores, uns que defendem teses de igualdade e liberdade dos homens e outros que defendem uma certa contenção as liberdades face ao apuramento financeiro e social actual. Mas, como bons portugueses que são, tudo tem que começar pelo futebol, o jogo de ontem, o de hoje, e o de amanha. Depois de um copo ou outro, já se pode comparar jogadores com os políticos. Uns até têm ideias muito felizes, tal como propor Cristiano Ronaldo a presidência da República, ou o José Mourinho ao cargo de primeiro-ministro. Neste caso, até proponha vale e Azevedo à Ministro das Finanças, ou Pinto da Costa a Negócios Estrangeiros, já que o homem só tem inimigos, e ainda Fátima Felgueiras a Ministra de Economia. Como podem ver, talentos brilhantes não nos faltam para um bom governo. Caso não venha aparecer uma fêmea boa, para atrapalhar a reunião é claro, porque ai a conversa muda de rumo automaticamente. Caso não apareça, chegam sempre a aquilo que verdadeiramente interessa. As questões sociais e políticas. Isto é o ciclo vicioso do povo miúdo, primeiro o que não interessa, e depois o que verdadeiramente o afecta directamente. A cultura que nos doou estes preciosos bens, e os ligou inteiramente com a essência portuguesa, lhes deu uma total correlação, uma afinidade, e uma união tão recíproca que um, vai sempre prestando uma mãozinha a outra. Tudo isto faz parte da liberdade dos homens, sei eu, e “os homens são livres porque são iguais”, mas também,  “são iguais porque são livres”, (Almeida Garrete), por isso, não pode nenhum homem ser impedido do exercício dos seus direitos. Resta saber, se estes direitos, não prejudicam os honrosos direitos dos outros. Por exemplo, não acho bem que fazem mexericos nos cafés contra os vizinhos, nem tão pouco, que interferem nas vidas pessoais e familiares quando estes não estão presentes para poderem se defender. Digo isto, porque o café é uma espécie de tribunal ou, de parlamente dos moradores. Acho isto, uma falta de ética, uma covardia, e uma baixaria do primeiro nível, porque a liberdade não habita na destruição, mas na construção do homem e da sociedade. A liberdade de cada um de nós, é o direito que temos de exercer todos os direitos que a natureza nos presenteia, uma vez que, não ofendemos as leis justas e o direito dos semelhantes, perturbando assim  as regras sociais correctamente instituídas. Muito se fala hoje em dia das liberdades, e esquecemos quanto mais dos nossos deveres para com os outros. Eu nunca podia estar tão em desacordo, com um professor meu, que dizia que à sua liberdade vai até onde ele conseguir o levar. É segundo a minha convicção, uma tendência muito perigosa, salvo melhor opinião, é claro. Entretanto, sendo um homem um ser social, os preconceitos é uma abstracção absolutamente necessária. Sendo nós, seres dotados de sociabilidade, ou com necessidade de misturar com iguais, seria ridículo dizer que os mexericos não desempenham um papel importante para manter a sociedade de forma uniforme ou mesmo julgar aqueles que afastam das regras convencionais

publicado por gritodumcriolo às 19:01

02
Mar 11

Uma perspectiva bastante assustadora, para o futuro da democracia cabo-verdiana seria sem dúvida polarizar o poder em Cabo Verde numa única força política. A ânsia de poder que está a assolar o interior do PAICV, e que vai dividindo o partido do governo em vários fragmentos, revela-nos que sempre vivemos, e hoje ainda mais, numa democracia com falta de vitalidade e, é bom que a juventude cabo-verdiana toma consciência e decidem em desfazer os fraternos laços que unem o partido do governo com a tendência totalitária.

 

A juventude deve admitir que a teoria de (um partido, um presidente), não facilita a transparência das actividades públicas, além de dizer que facilita o malabarismo e impede os transgressores de merecerem uma condenação justa. Desta forma, torna-se imperioso a divisão do poder em Cabo Verde, merecendo o mais alto cargo do país, toda a independência possível da militância do partido do governo, de forma a não ser condicionado nas suas acções e nas suas decisões. Sinceramente, tomo estas ideias como o princípio mais justo e digno de democracia e, será assim que podemos chegar ao primórdio mais justificado de liberdade desde que, o presidente também seja cooperativo com o governo.

 

 Estamos à assistir, insistências “como folhas secas”, de pessoas que findaram o seu ciclo político mas, continuam a combaterem mutuamente, depois de todos sabermos, que a menos de um mês atrás, apareciam publicamente reunidos em torno de uma única ideia. Ora, o cargo de Presidente da República não é um cargo que se pretende ser uma extensão da máquina partidária. Pretende-se quanto muito, ser um cargo independente e fiscalizador das acções do governo. “Um Partido, um Presidente”, mais não seria, provavelmente, do que um ambiente de perda de dinâmica de um governo que poderá mostrar sinais de cansaço num período de tempo não muito longínquo. Por isso, os cabo-verdianos devem manifestar formalmente, a favor da divisão dos cargos de poderes gerados pala Constituição da República, de forma a criar um equilíbrio justo e transparente dentro do território nacional, para os olhares do mundo.

publicado por gritodumcriolo às 02:23

09
Nov 10

Em 1960, a ONU, constituí um órgão autónomo para a defesa da propriedade intelectual. A partir de então, a propriedade intelectual, passou a ser definido como direitos sobre as obras literárias, cientificas, artísticas, as emissões radiofónicas e todos os tipos de invenções no domínio humano. Como podem ver e querer, eu nunca inventei nada, nem inventarei, porque tudo pode estar já inventado. Como diz um amigo meu, hoje em dia há muita gente a inventar coisas, quanto mais não fazem do que organizar as ideias dos outros, que posteriormente, adoptam e assinam como sendo uma grande invenção sua. Poderei eu também, mais do que os outros, ter caído no desacerto de utilizar as ideias organizadas pelos outros, sem ter feito a devida identificação do organizador, mas jamais os assinaria como propriedade meu. Se o fizesse, mesmo sem os assinar como propriedade intelectual meu, era com a única intenção de partilhar conhecimento, porque o saber só faz sentido quando é devidamente partilhado. Com isto, quero anunciar aos caros amigos e visitantes deste blogue, que se por acaso vierem identificar propriedade aliei, assinado por mim, que fazem o favor de o identificar publicamente e democraticamente no sítio dos comentários, ou que tomem as dividas medidas face ao abuso, com as devidas provas. No nosso caso em particular estamos a referir expressamente ao direito intelectual, nos campos científicos “direitos de autores”, ou simplesmente recolhas e ou trabalhos organizado por terceiros. Portanto, a noção de direito de autor, ou de propriedade intelectual como acabamos de referir é considerado por muitos como um capítulo do direito altamente internacionalizado na medida que as reclamações podem vir das mais diversas partes do planeta.

publicado por gritodumcriolo às 23:04

30
Ago 10

Uma das colossais, aspirações dos homens, vertida em ideologias, consiste em colocar término a divisão entre o dirigido e o dirigente. Esta afirmação pertence a Neto de Carvalho. Mas esta é uma afirmação facilmente aceitada por qualquer um de nós, se tivermos em conta que os homens são titulares de direitos iguais e, uns não deve estar sujeitos a vontade dos outros. A verdade, é que esta ambição nunca se realizou e nem vai. A teoria de uns mandam e outros acatam, é a única teoria aceitável para a humanidade, na medida que  entendemos a liberdade como um mostro faminto, que quanto mais come, mais fome tem. Ainda voltando aos dizeres de Neto Carvalho, sempre que tentaram eliminar esta destrinça, o libertador passou a ser o opressor. Todos os estudos realizados sobre o homem chefe, e o homem seguidor, não depararam feição que faziam de determinados homens chefes.

O que é da informação de todos, é que a chefia, ou liderança, sempre acompanhou a evolução dos homens desde os primeiros dias. Binet, concluiu que a segurança de quem fala, é um elemento importante de convencimento, ou seja, tem mais tendência para ser chefe ou líder, o indivíduo que tem mais segurança aparente, e participa com mais frequência dentro dum determinado grupo. A realidade é que todos os grupos defrontam com duelos de segurança, mais ou menos grave, não só de ordem interna, assim como de ordem externa que podem prejudicar a vivacidade do grupo, colocando em causa a própria segurança, de tal forma que a direcção do grupo deve recair sobre aqueles que impinjam pela força ou pela inteligência. Nem sempre quem ergue-se ao poder, é quem tem maior habilidade de resolver os problemas do grupo.

 De outra forma, e como acontece por exemplo em Guine Bissau, a situação complica quando a grupos de indivíduos que confunde com o poder, e apoderam dele mesmo sabendo que não trazem soluções viaveis para o grupo. Não é por acaso que nas sociedades ocidentais, os grupos tentam procurar para chefia as pessoas mais acessíveis ao diálogo. Em África por exemplo aparece as forças armadas como a força estrutural da sociedade, tal como na idade média a sociedade era dominada pela cavalaria. Hoje em dia, aparece nas principais paginas de jornais os indivíduos que dirigem complexos sistemas sociais.

 Fiedler, diferenciou os chefes em duas tipologias; O que procura a conservação e intercalação pessoal, que em nossa opinião é aquilo que se considera líder. E outro que está virado para a execução da tarefa, na nossa opinião o chefe. Segundo Nicolau Maquiavel, seria bom que estas duas características se juntassem numa única pessoa, mas isto raramente ou nunca acontece.

Geralmente quem preocupa com a execução da tarefa, é mais autoritário e tem enorme probabilidade de sucessos, enquanto os outros voltados por uma gestão democráticas, podem alcançar resultados intermédios. Na nossa opinião, o chefe que alcançar resultados através do diálogo tem maior probabilidade de alcançar sucesso, porque compromete boa parte do grupo. A teoria de Fiedler, tem o mérito de nos chamar atensão para considerar três pontos. Características do chefe, características do grupo, e características da situação.

Conformismo

Voltando a Neto de Carvalho, se numa sociedade há indivíduos que pretendem ascender ao poder há aqueles que com capacidade ou sem elas pretendem não ocupar tal cargo. Estes por vezes os menos confiantes ou menos qualificados, tendem para posições de conformismo evitando oposições. Estes optam por posições de conformismo mesmo sabendo que o chefe está errado, e que a razão está do seu lado, mas preferem caminhos errados do que desafiar o líder que é um indivíduo mais afirmativo. O conformista como por exemplo o Africano, deriva da unidade de grupo, e da falta de estruturação do universo cívico e social e faz parte das consequências dos valores genericamente aceitos, e que muito tenho chamado atensão do cabo-verdiano. O conformismo pode acabar por ser entendido como incapacidade de acção colectiva, como aliás acabou por defender Adriano Moreira num Artigo de jornal. Confrontar o líder implica esforço, riscos e persistência, que ultrapassa o tempo disponível. O conformista pode não sentir energia suficiente para enfrentar os outros, ou estar inseguro do resultado da sua intervenção e não querer correr os pertinentes riscos. O conformismo pode ainda resultar da falta de conhecimento e da insegurança e perante o auto confiança dos outros convêm segui-los. O grau de conformismo vária com a situação do grupo e da situação do individuo e a maneira como este conformismo se manifesta revelam aspectos importantes do ser humano, e que nos impede de raciocinar politicamente em termos de igualdade do ser humano.

Comunicação

Durante muito tempo, consideravam que a audiência era o somatório dos indivíduos que sintonizavam uma estação. Com isto partia-se do pressuposto que todos os indivíduos que estavam em sintonia na rádio televisão de Cabo Verde estavam em pé de igualdade, na mesma emissão. Tchakotine, foi ao ponto de defender um limiar de pulsações fundamentais, a maneira de estímulos condicionados anteriores a reflexão crítica racional. Até certo ponto esteve certo, mesmo alternando de sujeito por sujeito. Se repararmos bem, o oposto do que antes foi dito, as audiências se encontram organizadas em pelos dois patamares. Primeiramente a mensagem dos lideres atingem os sujeitos mais atentos e interessados nas matérias de comunicação (os comentadores, e analistas)e posteriormente estes vão  interpretar-lhe e divulgar-lhe ao resto da sociedade e famílias mas, não deixando de fora os seus interesses.

Conclusão que podemos chegar é que, em termos de informação há quem as colhem sem ser influenciados, digamos como matéria-prima, e os outros que recebem já influenciados, em segunda mão, ou produto transformado. De uma forma voluntária as pessoas reconhecem os líderes de opinião como modelo a seguir. Sejam os partidos políticos, pessoa, ou qualquer outro grupo, aquilo que é seu é sempre o que é bom e melhor de todos por isso, tenta impingir aos outros. A nossa esperança para conseguir incentivo para correr riscos, está nas pessoas que partilham os mesmos interesses do que nós, como a família e os amigos, caso à acção posterior não os acarreta consequências negativas. Fora desta área, cada um defende os seus próprios interesses. Por natureza os homens não rejeitam os que sabem mais do que eles, nem os mais fortes do que eles mas, temem a exploração que venha do seu lado de alienação, porque o homem não é de confiança. O homem na posição de alheio, ou seja transferido para o outro, ainda se quiserem alienado, está impedido de desenvolver as suas potencialidades e capacidades, com prejuízo de poder seguir os seus próprios fins. O homem é uma consciência em formação, em que as necessidades sucedem umas as outras, dai a necessidade de controlar o ambiente e o seu meio físico e social e coloca-lo ao seu serviço, para tanto, apropriamos dos processos de produção fazendo uma selecção das espécies e da sua domesticação.

Da mesma forma, se sucede com os homens, procuramos dominar os cérebros dos outros homens, de maneira que as suas querenças e as suas vontades sejam postos a nossa disposição, tornando-lhes escravos dos nossos interesses. As opiniões dos nossos amigos, familiares, as propagandas, publicidades etc, englobam todos neste contexto. Para levarmos a cabo os nossos interesses, temos que saber controlar todos os que estão a nossa voltar começando pelos amigos e familiares, educando-lhes e manipulando as suas ambições tendo sempre em conta os nossos interesses. “O homem é o Lobo do Homem”. Assim faziam os Padishas otomanos para educar os escravos, de forma a tirar o melhor proveito dos seus trabalhos.

A alienação do outro é das características mais natural do ser humano, mesmo que seja de uma forma mais oculta, ou mesmo de forma ingénua, uma vez que somos por natureza egocêntricos. É só termos como exemplo uma relação amorosa entre duas pessoas, em que cada um vê o outro como património seu, baseado na frase  “ o amor é um sentimento egoísta” ou então a forma como os pais dominam os filhos, transmitindo aos filhos de forma forçada os mesmos valores que foram educados. Marx, examinou o homem e considerou-o como um ser complexo de necessidades, voltado para a necessidade, as quais importa dar satisfação através dos que à natureza dispõe. Logo, o homem realiza através do seu trabalho, e quando é desapossado do produto do seu trabalho, dá uma série de alienações que terminará em conflitos. Os homens não precisam da propriedade privada para manifestar a força do seu egocentrismo, embora este possa o agravar ainda muito mais. Se continuássemos a desenvolver a teoria de Marx, seria muito complexo tendo em conta aos resultados históricos que nos mostra que nenhum Estado Comunista foi além de uma ditadura. Mas, também se seguirmos a teoria de Françoais Perroux, “ em todas as sociedades possíveis, há uma que é sinónimo de humanização: é aquela em que a coerência do processo de cada sujeito num conjunto em que nenhum perde a qualidade de sujeito. Culmina quando cada sujeito se cria ao mesmo tempo que cria todos” Pag. 155 Pressupostos e dificuldades da acção política de Neto de Carvalho. Tal como as aspirações de Marx de uma sociedade sem classe, este é só uma teoria. O desejo de alcançar a sociedade perfeita, de alguns utópicos universalistas é impossível de realizar. Portanto, o horizonte que permite acabar com a diferença de dirigente e dirigido torna-se impossível de alcançar. Nota-se que em todos os grupos formados com vista a alcançar uma acção comum, tem que existir uma hierarquia de autoridades, na medida que os homens têm níveis de conhecimentos diferentes, e só em grupo os homens conseguem atingir os seus objectivos.

publicado por gritodumcriolo às 01:19

23
Ago 10

O governo cabo-verdiano, é hoje o maior investidor do país. Por esta via, o Estado se transformou no maior cliente das empresas nacionais, numa configuração directa, ou indirecta. Deste feitio, as empresas nacionais se encontram cada vez mais dependentes da sorte do governo Estrela Negra. Daí, é suposto que todas as empresas nacionais ficam na expectativa “e, é importante que o façam”, de querer saber qual é o programa de investimento do governo “Tambarina” para poderem elaborar os seus próprios programas de actividades. Mas o povo na sua sabedoria, costuma dizer que quem espera para o PAICV, espera e desespera. Por outro lado, é normal que antes de um partido político, num país com a dimensão de Cabo Verde, elaborar o seu programa de actuação, deve examinar previamente se existam ou não, empresas no país capazes de satisfazer as suas solicitações; coisa que o PAICV não faz.

Portanto, não levando o anteriormente referido em linha de conta, não se fortalece o capital das empresas nacionais e quem paga são sempre os mesmos. Não havendo empresas estáveis, não há empregos estáveis. Não havendo empregos estáveis, não há famílias felizes, nem jovens com perspectiva de futuro. Supostamente, no planeamento de grandes empreendimentos, era bom que houvesse estudos preliminares em comum entre Estado e empresas sedeadas no país. Seria uma boa medida para estreitar o fosse de relacionamento existente entre os dois sectores neste momento. Zé Maria está na sua e não quer dialogar. Deduzo que seria o seu dever apresentar um plano exequível para o pais, na medida que, foi ele quem deu o grande contributo para colocar as empresas sob o controlo politico.

O país vai precisar de uma força de salvação nacional, formada por uma convergência de todas as forças de oposição dos descontentes dentro do PAICV, para resgatar e evitar que continuam a comprometer o país com investimentos que não têm retorno, e que não são prioridades neste momento. Só assim se pode defender o país dos abusos e do monopólio do Estado, permitindo uma legítima distribuição da riqueza em todo o país. O PAICV, encara as empresas como inimigo, em vez de lhes tomar como um meio de subsistência social, que movem de forma determinada na busca de melhor forma de produzir bens e serviços e também como meios de articulação entre o bem-estar dos indivíduos e os da sociedade em geral enquanto o Primeiro-ministro José Maria Neves se encontra preocupado com a realização pessoal e da sua Malta. A rapaziada do PAICV, não está preocupada com a racionalidade técnica e intelectual do país, e muito menos com a racionalidade económica e social. Em consequência disto, várias empresas têm vindo a abandonar o país, ou abrindo falência, deixando inúmeras pessoas no desemprego. Não podemos deixar de ter à consciência clara, que o Primeiro-ministro nas suas várias viagens feitos ao estrangeiro nestes últimos tempos, poderá estar à preparar alguma… Se vermos bem, nestes últimos tempos Cabo Verde tem estado sem governo. Assim como aconteceu noutras ocasiões do passado é um tal passear com o dinheiro dos Cabo-verdianos que nunca mais acaba, enquanto há mães com filhos à passar fome. A história nos mostra que sempre que a derrota se encontra a aproximar, há ambiguidade e desvio dos fundos para o estrangeiro. E a sociedade que não precaver, coloca a si própria como susceptível de cair na ruptura, tanto mais que numa economia frágil como a nossa, agravada pela crise económica criada por José Maria pode nos levar ao estrangulamento.

publicado por gritodumcriolo às 23:57

06
Ago 10

A avaliar pela minha experiência associativa nas mais diversas colectividades tais o Parlamento Europeu dos Jovens, Associações Académicas, Amnistia Internacional, Associações Politicas Partidárias, entre muitas outras, leva-me a confiar que, existe uma dissemelhança de postura demasiado grande, no que se refere à componente cívica e politica entre os jovens associados e os não associados. Desde à minha infância que eu interpretava as associações como escolas da democracia, pelo que incessantemente apontei o envolvimento na vidada associativa, como uma nobre forma de cultura, e uma notável atitude cívica que deve ser potencializado. Portanto, a qualidade de participação dos jovens nas associações, pode ser tomado como uma unidade padrão da demografia e, qualquer um pode perceber que os jovens associados, gozam um elevado nível na escala de competência política, em oposição aos que o ignoram. Na conjuntura metodológica, o associativismo voluntario, constitui um espaço de socialização cívica, cultural e política, quanto mais não é, uma forma de educação para desviar a camada jovem de certos desígnios. Infelizmente o governo do PAICV, em nome do Primeiro Ministros não usufruíram do apanágio de seguir o tão nobre caminho daí, toda à chacina e vandalismo que está a inquietar as cidades cabo-verdianas tem um nome; JOSÈ MARIA NEVES. José Maria, tem muitas limitações em criar políticas sociais para travar a revolta dos jovens. Mas ele é que não tem culpa, absolutamente nenhuma. Quem tem responsabilidade, é quem o colocou em frente da manada, ainda que democraticamente.

Cada povo tem o que merece. Há diferença entre atitudes dos jovens associados e dos não associados dispara em todos os sentidos, quer no plano social, quer no plano da auto-estima e respeito pessoal. Os efeitos favoráveis estão sempre ao lado dos jovens associados, com presenças mais assíduas nas questões de cidadania, e envolvem seguramente com mais frequências em acções de voluntariado da comunidade.

São os jovens associado, os que tem maior protagonismo público, maior disposição favorável aos outros, ao bem comum e a responsabilidade social. Sendo estes com maior com sentido de responsabilidade, pelo conseguinte, são os que mais esforçam para o melhoramente da sociedade. Este sentido de responsabilidade, também destaca-se na forma como encaram os resultados escolares, e o exercício da cidadania. Apostar no associativismo juvenil, na minha opinião, mais não é do que apostar na preparação das futuras lideranças, e seguramente uma forte aposta na renovação das instituições do pais.

publicado por gritodumcriolo às 02:03

21
Jul 10

No século XVIII, o Brasil, era considerada à jóia da coroa portuguesa. Era o Brasil do ouro dos diamantes, que trouxe toda a pujança económica e facultou à Portugal fascinação político entre as nações civilizadas da Europa. No dia 7 de Setembro de 1822, quando o príncipe D. Pedro, nas margens do Ipiranga, proclamou o grito da independência do Brasil “ Independência ou morte” estava à pregar um golpe imortal a nação Portuguesa. Na verdade, o Brasil tinha acertado no século XIX, sobretudo  nos treze anos que lá residiu o rei D. João VI (1808-1821) um nível de desenvolvimento gigantesca. Este crescimento, associado a presença do monarca, transformava o Brasil no centro do império, ou seja, passou de província para capital do império.

O Brasil passou a ter instituições próprias, de um estado moderno, em 1815, havia políticas para elevação do Brasil á reino, adoptaram um novo sistema de impostos, foi criado em 1808 o Banco do Baril, foi criada no Rio de Janeiro Tribunais para todas as causas, fundaram Cursos de Medicina, e Comércio de Belas Artes, enfim. Todo este espontâneo desenvolvimento, levou com que o Brasil desse passos largos em direcção a independência. Ao retirar do Brasil, o soberano deixou no novo reino o seu filho como regente “D. Pedro”, com a intuição de que a antiga colónia não tardaria em ser independente. Para a separação do Brasil, e como é próprio dos portugueses na arte de desmanchar, aplicaram uma grande ajuda, no tratamento dado as Cortes Constituintes que se tinham instalado em Lisboa, na decorrência da revolução de 1820. Os deputados portugueses ficaram insatisfeitas, pelo facto dos brasileiros atrás referido, tivessem ficado com o mesmo estatuto, em  pé de igualdade com  eles.

 Para eles, esta actuação complexada dos Portugueses seria um grande favor ao Brasil porque, isto iria servir de argumento válido para desunir os dois países. D. João VI, manda chamar o seu filho D. Pedro sobre protesto de vir estudar na Europa. Desta forma tentava anular a intendência do Brasil. Esta atitude foi prontamente atacada e reprovado nos jornais brasileiros, o que levou a população a respondeu com um chamamento a permanência. A 9 de Janeiro de 1822, o príncipe decidiu que não regressava à Portugal, em desobediência ao pai. As tropas portuguesas ainda tentaram reagir a desobediência, mas as milícias formadas formadas em todo o Brasil precisamente para fazer face a esta reacção, repeliu a tentativa. José Bonifácio ordenado Ministro do Reino desde 16 de Janeiro orientou o impulso em direcção à independência. De Janeiro à Setembro, nenhuma lei promulgada pelas cortes tinha vigor no Brasil. A 9 de Agosto, um manifesto declara inimiga todas as tropas portuguesas que usassem desembarcar no Brasil e, dirigiu as nações amigas justificando à atitude brasileira. A 7 de Setembro de 1822, D. Pedro decide, nas margens de Ipiranga, em São Paulo e lança o grito. “ É tempo… Independência ou morte”. Portugal reconheceu a independência do Brasil dois anos depois, em 1825.

publicado por gritodumcriolo às 02:57

11
Jul 10

Milícias Populares

Forças de natureza paramilitar implantado pelo PAICV, que com recurso a processos violentos, apoiaram a difusão e implantação das ideologias totalitárias.

 

Comissão de Moradores

Assembleias locais, constituídas por operários, milícias, camponeses ou por delegados por eles eleitos, que possuíam poderes de carácter deliberativo e administrativo, existente em Cabo Verde entre 1975 e 1989, que constituíam a base da politica ditatorial.

 

Social-democratas

Corrente ideológica a qual pertence o MPD, cujas origens remontam os pensamentos de Bernstein nos finais do século XIX que, partindo da critica ao sistema capitalista e à necessidade de revisão do marxismo, defende a construção do socialismo através de reformas graduais levados a cabo por governos, resultantes de processos eleitorais democráticas.

 

Pioneiro do Partido

Sistema político introduzido em Cabo Verde pelo PAICV, que além de perfilar nas crianças os princípios ideológicos definidos pelo partido, caracterizava como forma dos filhos policiar as actividades políticas dos próprios pais.

 

Assistência Social

Sistema, em linha de regra de natureza estatal, de coordenação das politicas sócias e de apoio as famílias desempregadas, a velhice, doença e invalidez, com sacos de milho, arroz, açúcar óleo, leite etc, sendo os recurso provenientes de doações de países amigos.

 

 Autocracia

Forma de governo, em que o poder é exercido de forma absoluta e sem limites por uma única pessoa.

 

Direita

Designação utilizada para identificar as forças com um projecto politico de natureza conservadora, cujas origens remontam à posição ocupada pelos conservadores na Assembleia Constituinte saída da Revolução Francesa em 1789.

 

Funana ou Educação Popular

 Processo educativo cujo público-alvo são os adultos ou jovens excluídos, prematuramente, da escola e que com base em metodologias adequadas, procura completar e aprofundara sua formação, através de cursos nocturnos, casas de cultura, clubes recreativos, etc.

 

Esquerda

 Designação dada para identificar as forças politicas defensoras de transformações sociais profundas com o objectivo de conseguir a igualdade e a justiça social, embora com divergências internas quanto ao ritmo e o processos a utilizar, e cujo as origens remontam a posição ocupada na Assembleia Constituinte saída da Revolução Francesa em 1789.

 

Propaganda

Forma de comunicação levado a cabo em Cabo Verde, e noutros países, com sistema de partido único, cujo objectivo consiste em persuadir as pessoas a adoptarem determinados atitudes, e aceitarem certas ideias, opiniões e perspectivas políticas e sociais ou a apoiar pessoas.

 

JAC-CV

Orientação política levada a cabo em Cabo Verde nos anos 80, caracterizada pela valorização e crescimento da força partidária, através de enquadramento da população jovem na organização partidária (PAICV) de forma forçada.

 

Emigração

Movimento populacional caracterizado pelo abandonado país de origem, e instalação num pais estrangeiro a titulo transitório ou definitivo, cujo fim é ter melhores condições de vida.

 

Laicismo

Doutrina que defende a natureza não religiosa das instituições sociais, políticas e culturais, e que, com base na autonomia, destas relativamente à religião, levou, em regra, ao longo dos séculos XIX e XX, à separação entre a Igreja e o Estado.

 

publicado por gritodumcriolo às 22:05

05
Jul 10

Em Janeiro 1967, por ocasião do juramento da bandeira, Amilcar Cabral desloca-se a Havana e conferencia com os seus homens, que estavam aí, preparando o assalto em cabo verde, sobre uma alternativa ao apoio de Cuba. Depois da descoberta de Che Guevara em Bolívia, pelos americanos. Cuba começou a estar sobre forte vigilância dos Estados Unidos. Cuba passou a ser indiciada de difundir para o mundo as ideologias revolucionárias. Os soviéticos, desde sempre tinham declinado auxiliar a missão Cabo verde, por julgar que seria uma missão suicida. Mas, não recusaram colher os cabo-verdianos nas suas academias, para prepara-los para a missão.

 

Os militantes receberam formação em balística e artilharia, e no fim da formação, a URSS ofereceu-lhes um barco que seria dirigido por Herculano Viera, ex capitão da marinha mercante. O grupo parte em direcção a Argélia e a medida que a data aproxima, a discórdia instala-se no sei do grupo. Alguns desistam e são mantidos em Argélia, para evitar a fuga de informação. Entretanto, se desconfiava que a PIDE pudesse saber da informação porque, várias medidas se tinham tomado em Cabo Verde, que começava desde o controlo apertado dos emigrantes, até patrulhas das costas marítimas. Várias operações de buscas foi desencalhadas, com o fim de prender militantes do PAIGC, e vários indivíduos são presos em Santo Antão.

 

 Em Janeiro de 1968, Amilcar Cabral é detido no aeroporto de França, e com ele prenderam vários documentos secretos da luta. Amilcar Cabral estava impedido de entrar em França desde 1964, visto que a França era aliada de Portugal. Mas Cabral, continuou a entrar e a sair de França sem que as autoridades francesas desse por ele. Após esta altura, vários militantes do PAIGC foram presos em toda a Europa, foi à partir desta altura que tomaram consciência da operação Cabo Verde. Dada toda esta ocorrência, a operação foi abortado, mas o PAIGC, ganhou homens especializados em várias áreas ainda que muitos deles negaram combater na Guiné. Quando a notícia chegou em Cabo Verde, foi recebido com muito desagrado. Segundo Pedro Monteiro, militante clandestino da ilha de Santiago, esta alteração de plano esvaziava as inspirações de independência, além de deixar os nacionalistas indefesos. Muita controvérsia, muitas mães à chorar filhos, muitas mulheres ficaram por casar, muitas vidas se perderam, tanta luta para que a independência fosse nossa. Por isso….

Canta, irmão
canta meu irmão
que a Liberdade é hino
e o Homem a certeza.
Com dignidade, enterra a
semente
no pó da ilha nua:
No despenhadeiro da vida
a esperança é do tamanho
do mar
que nos abraça.
Sentinela de mares e ventos
perseverante
entre estrelas e o Atlântico
entoa o cântico da Liberdade
Canta, irmão
canta, meu irmão
que a liberdade é hino
e o Homem a certeza.

publicado por gritodumcriolo às 00:35

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