Uma das colossais, aspirações dos homens, vertida em ideologias, consiste em colocar término a divisão entre o dirigido e o dirigente. Esta afirmação pertence a Neto de Carvalho. Mas esta é uma afirmação facilmente aceitada por qualquer um de nós, se tivermos em conta que os homens são titulares de direitos iguais e, uns não deve estar sujeitos a vontade dos outros. A verdade, é que esta ambição nunca se realizou e nem vai. A teoria de uns mandam e outros acatam, é a única teoria aceitável para a humanidade, na medida que entendemos a liberdade como um mostro faminto, que quanto mais come, mais fome tem. Ainda voltando aos dizeres de Neto Carvalho, sempre que tentaram eliminar esta destrinça, o libertador passou a ser o opressor. Todos os estudos realizados sobre o homem chefe, e o homem seguidor, não depararam feição que faziam de determinados homens chefes.
O que é da informação de todos, é que a chefia, ou liderança, sempre acompanhou a evolução dos homens desde os primeiros dias. Binet, concluiu que a segurança de quem fala, é um elemento importante de convencimento, ou seja, tem mais tendência para ser chefe ou líder, o indivíduo que tem mais segurança aparente, e participa com mais frequência dentro dum determinado grupo. A realidade é que todos os grupos defrontam com duelos de segurança, mais ou menos grave, não só de ordem interna, assim como de ordem externa que podem prejudicar a vivacidade do grupo, colocando em causa a própria segurança, de tal forma que a direcção do grupo deve recair sobre aqueles que impinjam pela força ou pela inteligência. Nem sempre quem ergue-se ao poder, é quem tem maior habilidade de resolver os problemas do grupo.
De outra forma, e como acontece por exemplo em Guine Bissau, a situação complica quando a grupos de indivíduos que confunde com o poder, e apoderam dele mesmo sabendo que não trazem soluções viaveis para o grupo. Não é por acaso que nas sociedades ocidentais, os grupos tentam procurar para chefia as pessoas mais acessíveis ao diálogo. Em África por exemplo aparece as forças armadas como a força estrutural da sociedade, tal como na idade média a sociedade era dominada pela cavalaria. Hoje em dia, aparece nas principais paginas de jornais os indivíduos que dirigem complexos sistemas sociais.
Fiedler, diferenciou os chefes em duas tipologias; O que procura a conservação e intercalação pessoal, que em nossa opinião é aquilo que se considera líder. E outro que está virado para a execução da tarefa, na nossa opinião o chefe. Segundo Nicolau Maquiavel, seria bom que estas duas características se juntassem numa única pessoa, mas isto raramente ou nunca acontece.
Geralmente quem preocupa com a execução da tarefa, é mais autoritário e tem enorme probabilidade de sucessos, enquanto os outros voltados por uma gestão democráticas, podem alcançar resultados intermédios. Na nossa opinião, o chefe que alcançar resultados através do diálogo tem maior probabilidade de alcançar sucesso, porque compromete boa parte do grupo. A teoria de Fiedler, tem o mérito de nos chamar atensão para considerar três pontos. Características do chefe, características do grupo, e características da situação.
Conformismo
Voltando a Neto de Carvalho, se numa sociedade há indivíduos que pretendem ascender ao poder há aqueles que com capacidade ou sem elas pretendem não ocupar tal cargo. Estes por vezes os menos confiantes ou menos qualificados, tendem para posições de conformismo evitando oposições. Estes optam por posições de conformismo mesmo sabendo que o chefe está errado, e que a razão está do seu lado, mas preferem caminhos errados do que desafiar o líder que é um indivíduo mais afirmativo. O conformista como por exemplo o Africano, deriva da unidade de grupo, e da falta de estruturação do universo cívico e social e faz parte das consequências dos valores genericamente aceitos, e que muito tenho chamado atensão do cabo-verdiano. O conformismo pode acabar por ser entendido como incapacidade de acção colectiva, como aliás acabou por defender Adriano Moreira num Artigo de jornal. Confrontar o líder implica esforço, riscos e persistência, que ultrapassa o tempo disponível. O conformista pode não sentir energia suficiente para enfrentar os outros, ou estar inseguro do resultado da sua intervenção e não querer correr os pertinentes riscos. O conformismo pode ainda resultar da falta de conhecimento e da insegurança e perante o auto confiança dos outros convêm segui-los. O grau de conformismo vária com a situação do grupo e da situação do individuo e a maneira como este conformismo se manifesta revelam aspectos importantes do ser humano, e que nos impede de raciocinar politicamente em termos de igualdade do ser humano.
Comunicação
Durante muito tempo, consideravam que a audiência era o somatório dos indivíduos que sintonizavam uma estação. Com isto partia-se do pressuposto que todos os indivíduos que estavam em sintonia na rádio televisão de Cabo Verde estavam em pé de igualdade, na mesma emissão. Tchakotine, foi ao ponto de defender um limiar de pulsações fundamentais, a maneira de estímulos condicionados anteriores a reflexão crítica racional. Até certo ponto esteve certo, mesmo alternando de sujeito por sujeito. Se repararmos bem, o oposto do que antes foi dito, as audiências se encontram organizadas em pelos dois patamares. Primeiramente a mensagem dos lideres atingem os sujeitos mais atentos e interessados nas matérias de comunicação (os comentadores, e analistas)e posteriormente estes vão interpretar-lhe e divulgar-lhe ao resto da sociedade e famílias mas, não deixando de fora os seus interesses.
Conclusão que podemos chegar é que, em termos de informação há quem as colhem sem ser influenciados, digamos como matéria-prima, e os outros que recebem já influenciados, em segunda mão, ou produto transformado. De uma forma voluntária as pessoas reconhecem os líderes de opinião como modelo a seguir. Sejam os partidos políticos, pessoa, ou qualquer outro grupo, aquilo que é seu é sempre o que é bom e melhor de todos por isso, tenta impingir aos outros. A nossa esperança para conseguir incentivo para correr riscos, está nas pessoas que partilham os mesmos interesses do que nós, como a família e os amigos, caso à acção posterior não os acarreta consequências negativas. Fora desta área, cada um defende os seus próprios interesses. Por natureza os homens não rejeitam os que sabem mais do que eles, nem os mais fortes do que eles mas, temem a exploração que venha do seu lado de alienação, porque o homem não é de confiança. O homem na posição de alheio, ou seja transferido para o outro, ainda se quiserem alienado, está impedido de desenvolver as suas potencialidades e capacidades, com prejuízo de poder seguir os seus próprios fins. O homem é uma consciência em formação, em que as necessidades sucedem umas as outras, dai a necessidade de controlar o ambiente e o seu meio físico e social e coloca-lo ao seu serviço, para tanto, apropriamos dos processos de produção fazendo uma selecção das espécies e da sua domesticação.
Da mesma forma, se sucede com os homens, procuramos dominar os cérebros dos outros homens, de maneira que as suas querenças e as suas vontades sejam postos a nossa disposição, tornando-lhes escravos dos nossos interesses. As opiniões dos nossos amigos, familiares, as propagandas, publicidades etc, englobam todos neste contexto. Para levarmos a cabo os nossos interesses, temos que saber controlar todos os que estão a nossa voltar começando pelos amigos e familiares, educando-lhes e manipulando as suas ambições tendo sempre em conta os nossos interesses. “O homem é o Lobo do Homem”. Assim faziam os Padishas otomanos para educar os escravos, de forma a tirar o melhor proveito dos seus trabalhos.
A alienação do outro é das características mais natural do ser humano, mesmo que seja de uma forma mais oculta, ou mesmo de forma ingénua, uma vez que somos por natureza egocêntricos. É só termos como exemplo uma relação amorosa entre duas pessoas, em que cada um vê o outro como património seu, baseado na frase “ o amor é um sentimento egoísta” ou então a forma como os pais dominam os filhos, transmitindo aos filhos de forma forçada os mesmos valores que foram educados. Marx, examinou o homem e considerou-o como um ser complexo de necessidades, voltado para a necessidade, as quais importa dar satisfação através dos que à natureza dispõe. Logo, o homem realiza através do seu trabalho, e quando é desapossado do produto do seu trabalho, dá uma série de alienações que terminará em conflitos. Os homens não precisam da propriedade privada para manifestar a força do seu egocentrismo, embora este possa o agravar ainda muito mais. Se continuássemos a desenvolver a teoria de Marx, seria muito complexo tendo em conta aos resultados históricos que nos mostra que nenhum Estado Comunista foi além de uma ditadura. Mas, também se seguirmos a teoria de Françoais Perroux, “ em todas as sociedades possíveis, há uma que é sinónimo de humanização: é aquela em que a coerência do processo de cada sujeito num conjunto em que nenhum perde a qualidade de sujeito. Culmina quando cada sujeito se cria ao mesmo tempo que cria todos” Pag. 155 Pressupostos e dificuldades da acção política de Neto de Carvalho. Tal como as aspirações de Marx de uma sociedade sem classe, este é só uma teoria. O desejo de alcançar a sociedade perfeita, de alguns utópicos universalistas é impossível de realizar. Portanto, o horizonte que permite acabar com a diferença de dirigente e dirigido torna-se impossível de alcançar. Nota-se que em todos os grupos formados com vista a alcançar uma acção comum, tem que existir uma hierarquia de autoridades, na medida que os homens têm níveis de conhecimentos diferentes, e só em grupo os homens conseguem atingir os seus objectivos.